Como sair da assessoria e virar consultor CVM - Guia Regulatório.

Marcus V. Schönhorst W. Müller
Marcus V. Schönhorst W. Müller
August 2025
5min

Um guia regulatório e estratégico para sua transição definitiva

Durante muito tempo, ser assessor de investimentos foi visto como o destino natural para quem desejava atuar no mercado financeiro sem um diploma em finanças ou um MBA internacional. Bastava estudar para a prova da ANCORD, conseguir o aval de uma corretora, e pronto — você estava autorizado a captar clientes e distribuir produtos de investimento no Brasil.

Mas os tempos mudaram. E, junto com eles, mudaram também as exigências dos clientes, o nível de sofisticação das carteiras e, principalmente, o peso da confiança.

Cada vez mais investidores buscam profissionais que não estejam atrelados a metas de venda, prateleiras engessadas ou estruturas de remuneração opacas. Eles querem conselheiros, não comissionados. Planejadores, não apenas distribuidores. E é nesse novo cenário que nasce a figura do consultor de valores mobiliários — um profissional independente, regulado pela CVM, que representa exclusivamente os interesses do cliente.

A diferença é filosófica.

O assessor, antigamente chamado de agente autônomo de investimentos (AAI), atua como preposto de uma corretora. Seu papel é distribuir produtos, captar recursos e atender investidores dentro dos limites e interesses da instituição à qual está vinculado. Para isso, precisa apenas do ensino médio completo e da aprovação em uma prova padronizada organizada pela ANCORD em parceria com a FGV. Depois de aprovado, ele só pode atuar se tiver um contrato formal com uma corretora e estiver registrado como seu representante.

Já o consultor CVM segue um caminho completamente distinto. Ele atua de forma autônoma, sem vínculo com instituições financeiras, e responde diretamente à autarquia reguladora. Seu foco não é vender produtos, mas prestar aconselhamento técnico sobre investimentos e planejamento financeiro, de maneira personalizada, contínua e livre de conflitos de interesse. E para isso, a exigência é mais elevada: ensino superior completo, qualificação técnica comprovada e um processo formal de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários.

O caminho para cada um: ANCORD versus CVM

Quem opta pela assessoria precisa:

  1. Ter ensino médio completo;
  2. Ser aprovado no exame da ANCORD (80 questões, 70% de acerto mínimo);
  3. Ter vínculo com uma corretora para ser registrado como AAI;
  4. Atuar restritamente na distribuição de produtos, sem autonomia consultiva.

Já quem escolhe o caminho da consultoria deve:

  1. Ter ensino superior completo;
  2. Comprovar qualificação técnica, seja por certificações (CEA, CFP, CFA e CNPI) ou experiência de mercado (avaliado pela CVM);
  3. Registrar-se diretamente junto à CVM, como pessoa física ou jurídica;
  4. Não receber comissões;
  5. Ser remunerado diretamente pelo cliente, via honorários fixos ou sobre o patrimônio consultado.

E como é, na prática, virar consultor CVM?

Após reunir a documentação necessária (diploma, certidões negativas, histórico profissional, plano de atividade, comprovantes de qualificação), o profissional deve abrir um processo digital no sistema da CVM e aguardar a análise técnica. O processo leva, em média, de 30 a 60 dias úteis (pode levar mais também). Uma vez aprovado, seu nome passa a constar oficialmente entre os consultores registrados do país — e ele pode atuar com independência plena, seguindo os princípios fiduciários estabelecidos pelas Resoluções CVM nº 19 e nº 179.

E quanto às certificações?

Aqui entra uma dúvida comum: “Preciso de CEA para ser consultor?”. A resposta é: não obrigatoriamente. A certificação CEA da ANBIMA, embora mais profunda e técnica do que a da ANCORD, é voltada para profissionais que fazem recomendação dentro de instituições financeiras. Ela pode ser usada como comprovante de qualificação técnica, mas o consultor também pode apresentar outras formações e comprovações equivalentes. Basicamente o CEA é o caminho mais direto e facilitado. O importante é demonstrar à CVM que está habilitado a exercer o aconselhamento com segurança e competência.

Planeje sua transição

Na Ascenda Wealth, temos acompanhado de perto profissionais que decidiram deixar a assessoria e migrar para a consultoria. Em comum, todos enfrentaram um momento de ruptura: o desconforto com os limites do modelo comissionado, a frustração com produtos inadequados nas carteiras dos clientes, a dificuldade em crescer com consistência sem abrir mão da reputação.

Migrar exige mais do que trocar de certificação. Exige reposicionar sua narrativa, ajustar seu modelo de negócios, aprender a cobrar pelo valor entregue e abandonar o discurso centrado no produto. Exige, principalmente, construir um processo consultivo estruturado, com planejamento orçamentário, análise de riscos, revisão periódica de carteiras e acompanhamento ativo da vida do cliente.

Uma nova carreira é possível

Se você é um assessor de investimentos e sente que chegou no limite do modelo tradicional, saiba que existe um caminho possível — e ele passa pela consultoria.

Sair da ANCORD e registrar-se na CVM é apenas o começo. O mais importante vem depois: reconstruir sua proposta de valor, sua reputação e sua carteira com base na confiança, na técnica e na transparência.

Na Ascenda, nós acreditamos que o futuro do mercado financeiro pertence a quem pensa como consultor. Se esse é o seu próximo passo, conte conosco.

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Marcus V. Schönhorst W. Müller
CEO, Ascenda Investimentos