Síntese da semana nos mercados por Ascenda Wealth Management

Marcus V. Schönhorst W. Müller
Marcus V. Schönhorst W. Müller
December 2025
3 min

Entramos na última semana cheia do ano com os mercados operando em ritmo típico de dezembro: liquidez menor, ajustes finos de posição e uma tentativa (ainda cautelosa) de consolidação do rali observado ao longo de novembro. O pano de fundo global continua relativamente construtivo, mas alguns movimentos recentes lembram que 2026 começará com novos vetores de risco no radar.

Vai ser importante filtrar o que é ruído de final de ano e o que são sinais de mudanças estruturais para o ano que vem.

Cenário internacional — alívio, mas não complacência

Nos Estados Unidos, os mercados seguem tentando sustentar o chamado Santa Rally. A inflação mais comportada ao longo do último trimestre e a expectativa de que o Federal Reserve possa iniciar um ciclo de cortes de juros em 2026 continuam dando suporte aos ativos de risco. As bolsas operam próximas das máximas, mas com maior seletividade, especialmente após a forte valorização do setor de tecnologia.

O investidor global segue confortável com a narrativa de desaceleração suave da economia americana. Apesar disso, em um ambiente de preços já elevados, qualquer dado que reforce pressões inflacionárias ou resiliência excessiva da atividade pode gerar correções rápidas — ainda que pontuais.

Ásia — o Japão muda o jogo dos juros globais

O evento mais relevante do cenário externo nos últimos dias veio do Japão. O Banco Central japonês elevou sua taxa básica para 0,75%, o maior nível em cerca de três décadas. O comunicado também chamou a atenção: o banco deixou claro que o processo de normalização monetária não está encerrado.

Esse movimento tem implicações globais importantes. Durante anos, o Japão foi uma âncora de juros baixos no mundo, estimulando fluxos para ativos de maior risco em outras regiões. Com juros japoneses subindo, parte desse capital começa a ser reavaliada, o que ajuda a explicar oscilações recentes em moedas, bolsas e curvas de juros globais.

Na China, o cenário segue de crescimento moderado. Os índices de atividade industrial continuam abaixo do nível de expansão, e o banco central mantém postura cautelosa, sem estímulos agressivos. Isso significa menos impulso externo para commodities, mas também menos volatilidade abrupta.

Europa — crescimento fraco, inflação mais baixa

Na Europa e no Reino Unido, os dados continuam apontando para uma economia de baixo crescimento, próxima da estagnação. Não surpreende portanto, que a inflação segue cedendo, o que mantém aberta a perspectiva de flexibilização monetária mais à frente. Para os mercados globais, esse quadro ajuda a reduzir pressões inflacionárias estruturais e contribui para o ambiente de juros mais baixos no médio prazo. Talvez essa seja uma pequena prova de que "O novo normal" nada mais era que uma frase de efeito. A história se repete.

Brasil — inflação melhor, BC firme e fiscal no centro do debate

No Brasil, o foco permanece dividido entre inflação, política monetária e fiscal.

O Banco Central divulgou o Relatório de Política Monetária, reforçando uma mensagem já conhecida: o processo de desinflação avançou, mas ainda não está consolidado. A autoridade monetária segue preocupada com expectativas de inflação no horizonte mais longo e com a dinâmica fiscal. Na prática, isso significa que cortes de juros não estão no radar imediato, ainda que o mercado continue projetando flexibilização ao longo de 2026.

Do lado fiscal, o Orçamento de 2026 foi aprovado. Com superávit e também com ressalvas importantes. Embora as metas tenham sido formalmente mantidas, o mercado enxerga um orçamento que depende de receitas adicionais e de execução disciplinada para se sustentar. Esse ponto segue sendo um dos principais determinantes do prêmio de risco nos juros longos e no câmbio. Basicamente o governo esta dizendo: vai fechar a conta, eu vou ganhar mais. Simples.

A nova tabela do Imposto de Renda, já sancionada, continua sendo tema recorrente nas conversas com investidores. A ampliação da isenção e a mudança na tributação de rendas mais altas alteram o planejamento financeiro para 2026, mas seus efeitos macroeconômicos dependerão justamente da capacidade do governo de compensar a renúncia fiscal sem comprometer a trajetória da dívida.

Nos mercados, o Ibovespa encerra o ano próximo de máximas históricas, enquanto o dólar opera em patamar mais baixo do que no início do semestre, refletindo tanto o alívio externo quanto o fluxo positivo para ativos locais. Ainda assim, o comportamento dos juros longos mostra que o investidor continua exigente: o cenário é melhor, mas a confiança ainda precisa ser construída.

Síntese da semana

O ambiente global encerra 2025 de forma mais equilibrada do que começou: inflação em queda, juros mais próximos do pico e menor estresse geopolítico. Ao mesmo tempo, movimentos como a normalização monetária no Japão lembram que o mundo entra em 2026 com um novo regime de juros, menos excepcional do que o da última década.

No Brasil, a combinação de inflação mais comportada e atividade resiliente é positiva, mas a sustentação desse quadro passa, inevitavelmente, pela disciplina fiscal.

O que muda para você, que cliente Wealth Ascenda.

O fim de ano traz alívio, mas não autoriza complacência. O cenário é construtivo, porém mais exigente: qualidade, diversificação e gestão ativa seguem sendo essenciais. É fundamental visão de longo prazo, do contrário (ao surfar exclusivamente movimentos de curto prazo) você esta apostando com seus recursos. Nosso diferencial estará em ler corretamente os riscos estruturais e ajustar o portfólio com antecedência. É exatamente esse trabalho de tradução e acompanhamento contínuo que seguimos fazendo para proteger e expandir o seu patrimônio. Nós continuamos realizando este trabalho e reavaliando internamente qualidade de ativos, mudanças estruturais nos fundos e probabilidades de eventos econômicos para que você não precise se preocupar com tudo isso sozinho. Lembre-se que as quedas de portfólio são mais pesadas que as altas, pois corrompem o efeito dos juros compostos. Entre a lebre e a tartaruga, escolha ser a tartaruga.

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Marcus V. Schönhorst W. Müller
CEO, Ascenda Investimentos